sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Viajando no Tempo- Poesia do RN

                                 Aqui Sob esta Abóbada
 
                                            
                       Aqui sob o zimbório, onde um santo viveu,
                       Eu scismo sobre o nada... E a lama entristeceu...
                       E vem-me ao coração, assim, desilludido,
                       Santa recordação do meu filho querido...
                       A lembrança dos meus é orvalho enluarado
                       Suavizando o calor do meu peito abrazado.
                       Da vida no espinhal, de minha mãe a imagem
                       É perfume de flor, é verde de ramagem...
                       Branca e doce visão aos pés do altar pendida,
                       Intercedendo aos céos pela filha dorida,
                       Que chora de amargor, ante o vício e o peccado,
                       Enquanto escuta da alma um som nunca estudado...
                       Brando e divino som, que ao coração me vem
                       Como resteas do sol, como um sopro do Bem...
                       Seria a tua prece, ó mãe, o teu cicio
                       Que em mim repercutindo, eu sinto que allivio?
                       Deus fazendo vibrar seraphica oração,
                       Harmonia do céo, dentro do coração?
                       Ó mãe, esposo e pae, ó trindade primeira,
                       Que eu recordo, entre o crepe e a flor da laranjeira,
                       Como estrellas brilhando em rosários de luz,
                       Um clarão derramai aos pés da minha Cruz!...

                                          Nísia Floresta

      Nísia Floresta Augusta (1810-1885) - Nasceu no sítio Floresta, no então município de Papari (hoje Nísia Floresta), a 12 de oOutubro de 1810. Nísia Floresta (Dionísia, seu nome de batismo) notabilizou-se como Educadora e precursora da reabilitação social da mulher. Lutou pela libertação dos escravos e pela liberdade e cultos. Entre sua vasta bibliografia destaca-se Direitos das Mulheres e Injustiça dos Homens (1852), Darciz ou a Jóvem Completa (1847), Opúsculo Humanitario (1853), O Abismo sob as Flores da Civilização (1857), Mulher (1857). Faleceu a 24 de Abril de 1885, na França onde residia. As suas cinzas foram transladadas para a sua terra natal. 


                                 Prof. e Poeta João Bosco

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